NOTAS SOBRE OS PETRALHAS

Graças a um jornalista extremamente vulgar e cujo blog é seguido por internautas ávidos de retórica histérica anti-esquerdista, popularizou-se o termo “petralhas” para chamar os adeptos do PT e, talvez, uma grande margem da esquerda. Evidentemente, os próprios petistas colaboraram para isso ao proporcionarem o espetáculo indecente do “mensalão” (uso aspas porque o termo está carregado de muita coisa que não ratifico), em especial pelas peripécias da direção da burocracia petista com suas Land Rovers e tudo que a indiferencia de toda cafonice consumista-emergente da nossa sociedade.

Provavelmente pelas estratégias retóricas sujas que o signatário do blog utiliza, inclusive usando gritos virtuais (para quem não sabe, há muito tempo é convenção na net que letras maiúsculas são gritos), muito pouca gente se deu o trabalho de investigar mais a fundo o problema. Afinal, nem todos têm estômago para isso. Aliás, podem me incluir nesse grupo. Não tenho paciência para ler esse tipo de discurso paranóico e histérico que, a rigor, é totalmente superficial e caricato e cuja popularidade se explica unicamente pelo fato de que, infelizmente, a mediocridade não é um privilégio de poucos.

Obviamente “petralha” é uma aglutinação de petista com metralha, fazendo referência aos “irmãos metralhas”, criminosos do Universo Disney cujo principal alvo é o “Tio Patinhas”. Se é isso mesmo, deveríamos então completar o díptico dos petralhas com o seu verso.   Quem é o Tio Patinhas? Um milionário cujo dinheiro está acumulado em um depósito específico e cujo característica central é a avareza, a incapacidade de – mesmo milionário – estender um único centavo para alguém. É ele que os irmãos Metralhas pretendem saquear.

Essa representação da realidade elaborada pela Disney não é a própria expressão daquilo que Max Weber chamou do “espírito do capitalismo”? Esse “ethos burguês”, consubstanciado na acumulação imotivada do dinheiro, não é exatamente aquilo que está descrito na Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo? O Tio Patinhas não é quase um “tipo ideal” do burguês que acumula bens apenas por acumular, praticamente como um dever imposto de cima (de Deus), como um ideal disciplinar que regula a própria vida? Se essa hipótese é verdadeira, então conseguimos visualizar a quem realmente interessa o estigma “metralha” (ou “petralha”). É porque uma determinada revista representa hoje a defesa irrestrita desse ethos (hoje relativamente desconectado do protestantismo e mais vinculado a uma parafernália yuppie, dos discursos de “saúde”, passando pela “arte da guerra” até chegar ao discurso da tecnocrático da administração, combinação de gerencialismo com atuarialismo), que convém manter seus rivais como “metralhas”. Afinal, ela não faz nada além de defender o Tio Patinhas.

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15 respostas em “NOTAS SOBRE OS PETRALHAS

  1. Isso, o problema é a Veja, que, ao contrário do teu amado CP, veio investigar a sujeira da Yeda aqui no RS, que nossos queridos jornaizinhos de grande circulação (CP e ZH) sempre ignoram e sempre ignorarão, afinal, dependem da verba para sobrevier. Aliás, não sei por que estou lendo seu blog, acho que foi pela curiosidade de saber o que escrevia alguém que compara picanha com cocaína (blog do Fabs). Enfim, revista Veja tem inúmeros erros e falhas, mas, como estamos no Brasil, ainda consegue ser a melhor, junto com a Carta Capital, de notícias semanais. Obviamente, tu nunca conseguirá entender, depois de se formar em direito e pós em filosofia tu ainda segues o que o Juremir diz, tu já és um caso perdido. Mas continua tentando, nunca se sabe, não é mesmo? Ao menos tens um bom gosto musical.

  2. Caro “Paulo”:
    Uma coisa nós temos em comum: não entendemos por que razão continuas lendo o blog. Alguém te obrigou a lê-lo? Não, né? Então sempre retornas – cada vez com um nick diferente – me atacando e fazendo associações com o Juremir, quando eu na realidade nunca falei do Juremir por aqui – pelo menos não que eu me lembre – nem “idolatro” do CP (assino o jornal apenas pq é mais barato e a minha namorada gosta de ler de manhã). De onde essa paranóia comigo, hein? Isso fica mal pra você, cara, essa obsessão que parece vir desde os tempos de um velho post no blog do Fabrício.

  3. Agora falando seriamente…tentando…: tomar a Veja como “menos pior” revista e como BALUARTE de alguma coisa fora um macartismo triste demonstra MUITA, mas MUITA boa vontade.

    Ps: qual o problema com a caixa alta?

  4. Acho ela a menos pior mesmo, algum problema? Não estou tentando transformar em baluarte de nada, Gabriel, apenas falei um fato da política gaúcha: CP e ZH não investigaram nada da Yeda, e tu deves saber bem disso se vivias no estado no período que ela governou(e, como já esta acontecendo, não investigam Tarso). Se quiseres, me indique algo melhor que ela e a Carta Capital que cubra a política brasileira semanalmente. Não concordo com tudo, obviamente, assim como não concordo com tudo que sai na Piauí e demais revistas, mas acho, principalmente o site delas, muito bons. Sequer gosto dos textos do RA, acho os bem fracos, fora que toda hora tenta mostrar como o PSDB é limpo e como o PT é sujo, sendo que qualquer pessoa que tenha acompanhado a política brasileira nos últimos 10 anos (e sem demência moral, é claro) sabe que os dois são muito sujos. Até concordo contigo sobre o macartismo do RA, mas a veja tem jornalistas muito mais superiores, se quiseres deixar de má vontade, podes olhar o site e verificar por ti mesmo.

    Terminando: Moysés e Gabriel, se querem começar mudando algo na sociedade, mudem as coisas que vocês tem alcance: denunciem a vaga de CC do amigo de vocês, o Mariano Lorenzon, que foi indicado pelo próprio pai para assumir. Quem sabe assim mude, nem que seja um pouco, algo aqui no estado.

  5. Denunciar o que, meu filho? A nomeação de seja quem quer que seja é pública e está aos olhos de todos. A gente denuncia o que não é transparente. No mais, aviso que é a última vez que vou tolerar esse tipo de ataque pessoal aqui da tua parte. As discussões desse blog não giram em torno de pessoas e aqui não é a casa da Mãe Joana. Na próxima, block pra ti.

  6. Me expressei errado, o certo não seria ‘denunciar’, apenas informar, assim como muitos estão informando sobre a palhaçada da Usina de Belo Monte, mesmo que seja público e transparente, é preciso informar a população disso, não acha?

  7. Já disse o que acho. Esse blog não é um espaço para perseguições pessoais e caça às bruxas. Aqui se discute ideias. Se não for capaz disso, nos poupe dos seus comentários.

  8. Acho que o teu discurso está diferente das tuas ações, Moysés, olhe: “Já disse o que acho. Esse blog não é um espaço para perseguições pessoais e caça às bruxas. Aqui se discute ideias.” Então, dizer isso e começar um texto dessa maneira (“Graças a um jornalista extremamente vulgar e cujo blog é seguido por internautas ávidos de retórica histérica anti-esquerdista”) parece ter uma incoerência forte. Enfim, não se deve pedir coerência para quem compara cocaína com picanha. Abraço. Voltarei a ler o blog do Fabs e do Walter e parei de perturbar os sempre certos Mariano CC, Divan e Moysés.

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