“CRITICAR É FÁCIL” – A APOLOGIA DA ESTUPIDEZ
agosto 8, 2011 4 Comentários
Qualquer chavão que possa servir como instrumento retórico para qualquer coisa prova por esse exato motivo sua completa inutilidade. Um dos mais comuns no cotidiano é: “criticar é fácil!”. Com essa frase estúpida, os críticos são silenciados mediante um golpe de violência bruta, aquela que sequer reivindica para si a possibilidade de ter razão, mas simplesmente estanca o debate, paralisa afirmando o status quo. Nada pode ser mais tosco que essa manobra.
É óbvio que tecer comentários negativos sobre alguma coisa é algo de fácil acesso. Difícil é realmente acertar a crítica, ou seja, atingir o ponto em que realmente está situado o problema. Essa precisão não é tarefa simples e geralmente os boçais que gostariam de encerrar o debate estão ansiosos por neutralizá-la. Mas, para se chegar a um ponto crítico relevante, é necessário que não se esteja oprimido por qualquer positividade ou compromisso. A crítica não observa limites, pois toda tentativa de a limitar acaba obscurecendo o fundamental que se quer agarrar com a crítica. Não existe positividade que valha a pena sem que ela possa, em si mesma, carregar o fermento da sua desconstrução. Posturas sem autocrítica constituem a atrocidade do dogmatismo e engessamentos críticos pela assunção de compromissos pragmáticos acabam levando ao mesmo lugar. Esse lugar é a mesmice da naturalização do mundo, o maior veneno que pode existir para o pensamento.
Sem a crítica indócil, rasgante, seminal, onde estaríamos, senão estagnados no mesmo lugar e na mesma opacidade naturalizada? A crítica é o que possibilita o positivo, é o que previne da afirmatividade ingênua ou naturalizante. O problema não é dizer: “nesse ponto se encerra a crítica!”, atitude estúpida, mas distinguir entre as críticas corretas e as erradas, que são as que mais proliferam. O Bolsa-Família teve milhares de “críticos” que o concebiam como aval para a vagabundagem (antes fosse…); devemos opôr a eles um: “criticar é fácil!”? Claro que não, é preciso mostrar que sua crítica é completamente equivocada, que o caminho está completamente invertido. O sistema penal tem críticos à esquerda e à direita, é preciso paralisar as críticas em nome de um pragmatismo consensual? Não, é preciso mostrar que os expansionistas estão errados, que o problema da violência nem é tocado pelo sistema penal, antes reproduzido, é preciso perceber o que é realmente ser crítico em relação ao sistema penal.
De agora em diante, “criticar é fácil”, para efeitos desse blog, vira uma certidão de burrice cifrada, pois nada é mais fácil do que não criticar.





